A dependência, cada vez maior, dos sistemas de informação e o alinhamento com as melhores práticas de mercado faz com que o interesse pelas soluções de
Business Continuity e
Disaster Recovery seja cada vez maior.
O sector bancário foi, tradicionalmente, o principal cliente dos serviços e soluções de continuidade de negócio e recuperação de desastre por razões normativas e inerentes ao tipo de serviço e negócio prestado. Contudo, a procura por este género de soluções, que visa remediar uma qualquer situação, de origem natural ou humana, que comprometa dados e informações vitais, generalizou-se.
Entrevista Completa:
Semana Informática: Como tem evoluído o investimento em soluções de Business Continuity e Disaster Recovery ao longo dos últimos anos? Têm notado maior interesse por parte das empresas portuguesas?
Victor Llorente Gomezem: O sector bancário foi a principal alavanca que, tradicionalmente, motivou os serviços e soluções de continuidade de negócio (por motivos normativos inerentes à tipologia do serviço e do negócio do próprio sector), no entanto, a procura deste tipo de serviço generalizou-se e sofreu um considerável incremento por parte dos restantes sectores.
A maior parte das empresas, dos mais variados sectores, acabaram por se consciencializar de uma forma progressiva de que a gestão da continuidade do negócio deve pertencer e estar completamente integrada na empresa como parte crítica do processo administrativo, já que tudo isso deriva tanto numa maior garantia de recuperação do serviço, caso surja um incidente, como numa melhoria da gestão das operações e portanto numa racionalização dos investimentos e economia de custos.
À parte dos motivos anteriormente descritos, existe outro particularmente vinculado às entidades privadas e que tem vindo a ser incorporado de forma gradual nos controlos de gestão. Actualmente, é habitual que a continuidade de negócio seja considerada pelos Conselhos de Administração como um aspecto de valor acrescentado para os empregados, clientes e accionistas.
Estes são essencialmente os motivos pelos quais existe uma crescente procura de serviços e soluções associados à continuidade de negócio.
SI: A contenção que se fez notar em algumas áreas de negócio tecnológico também se registou nos orçamentos para o BC/DR?
VLG: A decisão de grande parte das empresas, em particular as que contam com uma dimensão tecnológica e organizativa complexa, em investir o seu orçamento em esforços na implementação de Planos Operacionais de Recuperação e Continuidade, deve-se sobretudo à necessidade de definir uma estrutura operacional, tecnológica e organizativa que garanta a continuidade dos seus negócios. Vários estudos realizados e publicados pela Gartner incluem que mais de 70% das empresas que sofrem um incidente grave e não contam com Planos Operacionais de Recuperação e Continuidade fracassam durante o ano seguinte.
SI:Continua a ser um mercado maioritariamente reservado às grandes empresas?
VLG: Essencialmente. As actividades a desenvolver e o valor trazido por este tipo de serviço é considerado de forma mais clara em organizações com um nível de complexidade organizativa, operacional e tecnológica elevada.
SI: O preço continua a ser um problema para as PME ou a adopção ao nível das empresas de menor dimensão está relacionada com outras condicionantes?
VLG: O motivo pelo qual as pequenas e médias empresas não consideram a contratação deste tipo de serviços deve-se fundamentalmente a dois factores: o primeiro está associado à percepção que as próprias pequenas e médias empresas têm do serviço, ao considerá-lo um serviço de perfil elevado e de escassa aplicação para os seus ambientes, e o segundo factor e igualmente importante, é que actualmente não existe uma oferta claramente definida associada ao serviço e orientada para as pequenas e médias empresas.
SI: Quais os aspectos essenciais a definir num plano de continuidade de negócio e recuperação de desastre?
VLG: Essencialmente, podemos sintetizá-los em três:
- Conhecimento do negócio e dos ambientes tecnológicos das Entidades.
- Enfoque do serviço de valor baseado numa metodologia de trabalho claramente definida e baseada nas melhores normas e standards do mercado.
- Clara consciencialização por parte de todos os níveis da entidade, incluindo a directiva, das implicações e também dos benefícios oferecidos por um serviço deste tipo.
SI: Quais as soluções mais procuradas e no que consistem?
VLG: As soluções actualmente procuradas pelas Entidades centram-se fundamentalmente em incorporar um sistema de gestão de continuidade de negócio através do qual lhes permita, por uma lado realizar uma auditoria continuada e uma gestão eficaz e fácil de todos os aspectos associados à continuidade do seu serviço e negócio, e por outro incorporar a gestão da continuidade do negócio na cultura corporativa das Entidades.
SI: Que outras tendências se podem adivinhar ou acentuar nos serviços de recuperação de desastre e que razões podem justificar o investimento? O BC/DR vai mesmo “migrar” para a nuvem?
VLG: Recentemente surgiram soluções tecnologicamente muito avançadas, cuja cobertura do serviço é muito ampla, capazes de realizar uma manutenção industrializada e automatizada de todas as actualizações tecnológicas e estratégias de recuperação implementadas pelas Entidades.
Por outro lado e também recentemente, surgiram soluções mais especializadas que, baseadas no conceito de solução de “caixa negra”, são capazes de resolver os inconvenientes de uma estratégia de recuperação baseada na réplica assíncrona (na maior parte dos casos forçada pela distância entre a localização da Entidade e os seus Centros de Backup), transformando-a, na realidade, numa réplica síncrona.
Quanto à possibilidade de suportar as estratégias de recuperação em infra-estruturas geridas sob um ambiente de gestão baseado na “nuvem”, é uma solução que hoje em dia já está a ser aplicada, mas que se encontra principalmente ligada a ambientes tecnológicos mais delimitados. O inconveniente deste tipo de serviços é que normalmente as entidades não conhecem em detalhe a infra-estrutura que existe por detrás do serviço, pelo que o recomendado para este tipo de soluções seja fazê-las acompanhar de rigorosos Acordos de Nível de Serviço que delimitem de forma clara os tempos esperados de rendimento, recuperação e escalabilidade do serviço.
SI: Que avaliação fazem do mercado nacional neste momento e que tipo de expectativas de investimento têm para o curto/médio prazo para estas soluções?
VLG: Se tivermos em conta que os serviços de continuidade de negócio amadureceram favoravelmente durante os últimos anos e que na actualidade existem sistemas de gestão da continuidade de negócio que oferecem um valor indubitável para as Entidades, e a tudo isto acrescentarmos uma crescente inquietude e reconhecimento do valor oferecido por estes serviços por parte dos conselhos de administração das entidades privadas (principalmente por motivos de imagem face aos accionistas, empregados e clientes, economia de custos e garantia de continuidade de negócio) e por parte das empresas e instituições públicas (essencialmente pela necessidade de garantir a continuidade do serviço e evitar o alarme social dos cidadãos face a um incidente), o horizonte da procura deste tipo de serviços e soluções vai continuar a evoluir de forma muito positiva durante os próximos anos.
SI: Que principais desafios se colocam aos fornecedores de soluções? VLG: Definir um serviço de valor autêntico, em particular em sistemas de gestão de continuidade de negócio que se integrem de forma efectiva na estrutura organizativa, tecnológica e de negócio, garantindo desse modo uma automatização e industrialização das tarefas associadas à continuidade do serviço e do negócio das Entidades.
Artigo no Semana Informática aqui