As bibliotecas virtuais de cartuchos (Virtual Tape Libaries,
ou abreviadamente VTL), apresentam diversos benefícios que devem
ser considerados no momento de equacionar uma nova infra-estrutura
de backups, ou de simplesmente melhorar a existente.
As bibliotecas robotizadas de cartuchos e os
dispositivos de leitura/escrita de cartuchos (vulgarmente
designados por tape drives) foram a escolha lógica no passado como
base para o desenho de soluções de backup. Embora em pormenor, os
desenhos de algumas soluções representassem verdadeiros desafios
de engenho e inovação, podemos no entanto afirmar, e se nos
abstrairmos das especificidades de cada caso, que em termos macro
tudo se resumia a saber escolher a tecnologia mais adequada, saber
definir a melhor topologia e dimensionar correctamente a solução
com base nas informações recolhidas sobre o ambiente e as
particularidades do negócio em causa.
A constante evolução tecnológica, a explosão de
dados de ano para ano, a cada vez maior exigência dos níveis de
serviço que são impostos pelas áreas de negócio, fruto de uma
oferta de serviços cada vez mais global e acessível
(tendencialmente 24 horas x 365 dias), têm provocado alterações a
vários níveis na gestão das TI/SI e para as quais as soluções de
backup devem estar preparadas para responder.
Embora os princípios base de construção ou
actualização de uma solução de backups se mantenham similares, há
no entanto várias inovações no plano tecnológico que vieram
transformar a metodologia anteriormente adoptada. Uma dessas
inovações na área de backups que mais interesse tem despertado no
mercado ultimamente são as VTL. O conceito de VTL não é novo, já
há mais de 10 anos que é aplicado com sucesso nos ambientes do
tipo mainframe tendo sido posteriormente adoptado pelos sistemas
tradicionalmente designados por abertos. Embora também para os
sistemas ditos abertos as VTL não sejam propriamente novas, a
verdade é que ainda não atingiram a sua maturidade tecnológica e
iremos certamente assistir a melhorias consideráveis nos anos
vindouros. Ainda assim, começam a haver neste momento ofertas
nesta área que vale a pena considerar.
De forma muito sucinta, a VTL é um sistema
integrado de armazenamento em disco gerido por software num
servidor interno da VTL o qual emula na SAN a presença de robôs de
backups e tape drives.
Ao escrever para disco em vez de o fazer para
tape, a velocidade de backup pode ter um ganho significativo
imediato no caso de alguns (mas não todos) tipos de backup. Não
porque os tape drives sejam lentos, mas paradoxalmente porque são
cada vez mais rápidos. Isto pode parecer algo estranho mas não é.
Existe um fenómeno que se verifica quando um tape drive numa
operação de escrita não recebe do servidor dados em quantidade e
velocidade suficiente para impedir que o seu buffer interno se
esgote. Quando tal acontece o tape drive executa operações de
stop-reposition-restart. Este comportamento é designado por
shoe-shinning e se ocorrer frequentemente durante um processo de
backup o tempo deste será forçosamente longo. As últimas gerações
de tape drives LTO precisam de um fluxo de dados mínimo e
constante que varia, conforme o modelo e fabricante, entre 27 e 40
MBytes/s, ora estes valores mínimos são inatingíveis para alguns
servidores de produção e/ou tipo de backups.
Outra vantagem que apresentam as VTL está
relacionada com o RTO (Recovery Time Objective), pois se os dados
a recuperar estiverem disponíveis nos discos internos da VTL o
tempo de recuperação é optimizado uma vez que as operações de
montagem e pesquisa sequencial na fita são simplesmente
eliminadas.
As tapes usadas para backups têm vindo a
melhorar de qualidade mas a sua avaria aleatória (embora cada vez
mais pontual) continua a ser uma realidade. Tendo em conta o
crescimento da capacidade das tapes (uma tape LTO4 pode armazenar
até 1,6TB num backup com compressão de 2:1) e a ausência prática
de tecnologia de escrita redundante aplicadas a backups para tape,
justifica-se que sejam também considerados outros repositórios de
backup que ofereçam uma alternativa de recuperação.
Porém apesar destas e de outras vantagens não
descritas neste artigo, no limiar da decisão, o factor custo de
armazenamento dos backups irá ser considerado. Embora o preço de
armazenamento em disco tenha vindo a descer de forma contínua,
também é verdade que não deixou de ser muito mais barato armazenar
o mesmo volume de informação em tapes. A diferença de valores em
causa irá depender do modelo de tape utilizada e do tipo e gama de
disco com que é feita esta comparação. No entanto, o que importa é
que as tapes de grande capacidade, que são as normalmente
utilizadas para backups, continuam a ter um custo claramente
vantajoso face ao seu concorrente disco. Se pensarmos nos volumes
de informação gerados pelas várias sessões de backups ao longo do
ciclo definido na sua politica e, muito importante, nos seus
períodos de retenção que podem atingir 10, ou até mais anos,
facilmente se conclui que na realidade actual para a maioria das
grandes empresas ainda não estão reunidas as condições para um
arquivo de backups feito somente sobre disco. Existem no entanto
algumas tecnologias emergentes que podem ajudar as VTL a
conquistarem cada vez maior importância na infra-estrutura de
backups, uma dessas tecnologias é a de-duplicação.
A de-duplicação consiste no aproveitamento de
blocos de dados já salvos noutras sessões de backup de forma a
evitar a sua escrita nos backups seguintes. Só os blocos alterados
relativamente às sessões de backup anteriores são guardados em
disco. Com esta optimização a capacidade útil de cada VTL pode
atingir valores muito superiores (N vezes) à sua capacidade
nativa. A parte menos boa é que para esta tecnologia ter
aplicabilidade todos os backups realizados devem ser do tipo
total. Este requisito pode ter impacto significativo nos
servidores de produção e nas redes de dados utilizadas (SAN e/ou
rede Ethernet).
Apesar de tudo isto, as VTL fazem sem dúvida parte dos ambientes
de backups modernos porque introduzem benefícios reais muito
importantes. Pelo que foi escrito anteriormente as VTL devem ser
vistas (pelo menos actualmente) como complemento da componente
robótica baseada em tape drives. É por isso importante que a VTL a
adoptar seja, por exemplo, capaz de autonomamente migrar os
backups armazenados em tapes virtuais para tapes físicas em robôs
de backup. Fazer esta migração à custa dos servidores de backup é
contraproducente assim como não ter em atenção se a VTL escolhida
sabe utilizar as tapes físicas na sua totalidade para evitar
duplicações no consumo de tapes.
Apesar de estar fora do âmbito deste artigo abordar em
profundidade as características das VTL, é no entanto notório que
há uma multiplicidade de variáveis que devem ser devidamente
equacionadas na construção ou melhoria de uma solução de backups.
Por fim, convém ter presente que as alternativas tecnológicas
existentes não se limitam a tape drives e VTLs.